quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Terezinha de Jesus...

Imagem: Last_breath

Dona Tereza, senhora amiga, mulher, obesa. Andava pelas ruas vagarosamente e arrastava com ela seus cento e poucos quilos. Tinha uma bondade que transbordava pelo olhar. Expirava bondade, caridade. Conversava sobre o amor, o meio-ambiente e reciclagem... Em um tom sereno como se analista fosse. Todas as tardes alguma amiga lhe fazia visita. Há quem diga que Dona Tereza tinha o dom de amenizar o sofrimento alheio com o tom da sua voz.
Nos finais de semana, era dia de visitar a associação de moradores. Lia livros para as crianças. Gostava de Monteiro Lobato.
Dona Tereza não tinha netos, filhos e nem um esposo. O único homem que teve contato, a abandonou por uma amiga dez anos mais nova. A partir daquele dia começou a procurar nos alimentos a serotonina. E comia chocolates, tomava coca-cola, balas, doces, chicletes...Perdeu um marido, mas ganhou seus inúmeros quilos.
Certa vez, Dona Tereza olhava pela janela de casa, passou um homem com um menino.
- Papai, sabes o motivos de Dona Tereza ser assim tão...tão...cheia?– questinou o menino em voz alta.
Dona Tereza ouviu o som daquela voz inocente e olhou para o menino.
- Se pequenina fosse, seu coração não caberia. – Respondeu o pai, puxando o filho pelas orelhas.
Dona Tereza sorriu, de lado. Nunca havia escutado coisa tão agradável vinda de um homem.

3 comentários:

Daniel Barros disse...

Meu Deus, pra quem diz ter poucos dotes... imagina se tivesse muitos.

sensacional o texto.

parabéns, mesmo!

Anônimo disse...

.."não sei se tu me amas, pra quê tu me seduz?"

radik disse...

Ixi.. confesso que tinha lido ele um pouco rápido.
Li de novo, logo agora que acordei.
É lindo e alegre, muito.
Parabéns poeta. Esse foi realmente em tom de Sol Maior. Clave desenhada. Por suas palavras.

Um beijo pra você, e pra Dona Teresa.. apaixonei nela! *risos*