
Dona Tereza, senhora amiga, mulher, obesa. Andava pelas ruas vagarosamente e arrastava com ela seus cento e poucos quilos. Tinha uma bondade que transbordava pelo olhar. Expirava bondade, caridade. Conversava sobre o amor, o meio-ambiente e reciclagem... Em um tom sereno como se analista fosse. Todas as tardes alguma amiga lhe fazia visita. Há quem diga que Dona Tereza tinha o dom de amenizar o sofrimento alheio com o tom da sua voz.
Nos finais de semana, era dia de visitar a associação de moradores. Lia livros para as crianças. Gostava de Monteiro Lobato.
Dona Tereza não tinha netos, filhos e nem um esposo. O único homem que teve contato, a abandonou por uma amiga dez anos mais nova. A partir daquele dia começou a procurar nos alimentos a serotonina. E comia chocolates, tomava coca-cola, balas, doces, chicletes...Perdeu um marido, mas ganhou seus inúmeros quilos.
Certa vez, Dona Tereza olhava pela janela de casa, passou um homem com um menino.
- Papai, sabes o motivos de Dona Tereza ser assim tão...tão...cheia?– questinou o menino em voz alta.
Dona Tereza ouviu o som daquela voz inocente e olhou para o menino.
- Se pequenina fosse, seu coração não caberia. – Respondeu o pai, puxando o filho pelas orelhas.
Dona Tereza sorriu, de lado. Nunca havia escutado coisa tão agradável vinda de um homem.
3 comentários:
Meu Deus, pra quem diz ter poucos dotes... imagina se tivesse muitos.
sensacional o texto.
parabéns, mesmo!
.."não sei se tu me amas, pra quê tu me seduz?"
Ixi.. confesso que tinha lido ele um pouco rápido.
Li de novo, logo agora que acordei.
É lindo e alegre, muito.
Parabéns poeta. Esse foi realmente em tom de Sol Maior. Clave desenhada. Por suas palavras.
Um beijo pra você, e pra Dona Teresa.. apaixonei nela! *risos*
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