sexta-feira, 26 de junho de 2009

Onde há poesia?


No abraço que eu gostaria de dar.
E dizer: Parabéns.
Todos os dias.



[ Para meu amigo, André.]

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Represália.



Quieto.
Não fale.
Não reproduza o que não desejas ouvir.
Cala a tua boca.
Não fique aborrecido.
Não ouse sequer murmurar.
Não fale. Fique quieto.
Apaga esses versos que teima em dedicar-me.
A regar uma flor que não faz parte do seu demasiado/humano jardim.
O seu. O meu.
Não fale. Fique bem quieto.
Não só porque queira, mas porque eu quero. E assim será.
Da mesma forma que fez morada aqui sem comprar a escritura.
Não fale. Jogou fora teus poemas, tuas risadas, tuas crises e acessos de loucura.
Não fale. E não me peça para fazer o mesmo. Não espere que minhas palavras vão ao teu encontro. Porque as tuas já fugiram daqui faz tempo.
Não fale.
Fique quieto de uma vez por todas.
Qualquer hora, hora dessas que roubou de mim.
Mas, não fale.
É porque não consigo mais recordar do teu sotaque.
O timbre da tua voz.
E meu cérebro esquece facilmente fotografias.
Não fale.

Átrio


Nos intervalos dessa tua demora, opto por ter prazer em mim.

21 de julho.


©2009 ~stain-boy



Mês de sabor agradável. Julho das tardes geladas. Dos dias de voz delicada, da luz de um céu muitas vezes vestido. Da minha cama, do meu cobertor. Julho é a ratificação das vontades pré-anunciadas em Junho. Julho é elegante, fecundo, germinado de fé. De repente, esse Julho, apático aos meus desastres, enche-se de brisa e luar. Mesmo assim, minha vida coloca um cachecol e vai às ruas...Que venha então Julho, Agosto, Setembro e todos os outros. E que todos os meses façam estrelas no meu calendário, mesmo assim...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Soldado de Araque.


Ela resolveu ajoelhar e rezar. Pediu para Deus que o tal soldado desconhecido tenha sido diferente.


- E Bill Clinton alguns anos antes havia pagado o pato. Ou a tal da Monica-
Imagem: 2004, soldados americanos no Iraque.



Fenômeno.


Se talento fosse medido em gramas, teria a certeza, agora, a causa da obesidade de Ronaldo.


[ Eu não sou corinthiana ]

Meu lar.

A liberdade pode ser cativante ou sem cor. Depende do compositor. E Dvořák sabia bem disso.


©2007-2009 ~dragosu

Timeless.






Foram 10 horas de vôo de Atlanta para o Rio de janeiro. Duas semanas para entrar na casa do amigo de infância. 1 mês para entregar a tradução de uma música. Algumas horas para esbarrar em outra música. 6 anos de cumplicidade. 3 meses de frio no estômago. 9 meses de reflexão. 3 dias para aprender a perdoar. 1 segundo para beijá-lo outra vez. 2 anos e poucos a mais de pura rotina.
O céu pesado, assim como meus ombros e pescoço e o mesmo tempo dessa rotina exaustiva. Na mesma época, tempo de alegria, de céu azul. Abri a cortina e deixei a minha vida passar, e alguns momentos ficaram horas ali parados. Ainda sinto que aqueles instantes estão lá. Do mesmo jeito. Da mesma forma que o passado, fez-se presente. E meus 25 anos evaporam em um dia, apenas.




Imagem: by =lilyana

2° tempo.

©2009 =AntonellaB

E para jogar futebol, você precisa ter a noção que uma hora ou outra receberá um pontapé. E então você entra no campo mesmo assim. Você corre, sua e apanha. Bastante até. Minha mãe costumava me dizer que não valia à pena. Que eu não precisava torcer tantas vezes o tornozelo, acabar com o menisco e várias, várias fraturas. Mas, agora eu sou a platéia. O campo de futebol, a grama sintética ou não, o barro, o asfalto não me pertecem. E aqui da arquibancada não é muito diferente, tem sempre alguém tentando roubar o seu lugar predileto. The perfect spot.
Quando me decepciono, faço questão de encarar os fatos de olhos abertos, apesar de toda a miopia. Não é qualquer pontapé que me joga no chão. Mesmo que eu possa sentir muita dor.
Um pontapé é nada mais, nada menos do que um pontapé. Então vejo um drama no cinema e desvio a atenção dos meus momentos dolorosos - Porque esse sofrimento ultrapassa as grades, os bandeirinhas e a galera da platéia.
Os mistérios da existência humana ultrapassam você e a mim.
[ E essa minha/ tua força que vem do nada, amiga.]

sábado, 20 de junho de 2009

Não seu coração.


©2009 ~hayley-blue



Sentou-se na cadeira de balanço.
Lembrou que ele havia partido.
Pra sempre.

Vago.


©2008-2009 =aeon-100



E tanto quis ser coisa nenhuma,
Que coisa nenhuma foi.
Voltou.

Em cima do muro não.


©2009 ~didowa


É indispensável pertencer a algum lado.
Independente de qual seja.


quinta-feira, 18 de junho de 2009

Primeiro pecado.


©2009 ~mariaxo


- Come logo, imbecil, a culpa será tua de qualquer jeito!

Amor.




Em alguns minutos , e, se eu tiver essa opção, que seja por mais alguns anos.
1/3 de uma vida inteira já foi gasto. Se houver um amor, saiba que quando eu encontrá-lo, essa troca de olhares será teatral, algo assim:


-Ahhh! Você que é o tão famoso amor? Desculpe-me, deixei cair um lápis. [ Hã? Risos]


Ou que seja de qualquer jeito. Em qualquer lugar, no campo, no bar, pode até demorar. Com sol ou tempo nublado. Com trilha sonora, beijo de filme, rubor de adolescente, batimentos acelerados e fogos de artifícios. Ahhhh! Os olhos não podem estar abertos, para poder enxergar o espírito, a alma. De céu em céu, escrevo um poema, e espero um dia te encontrar, amor.


- Se esses versos não têm sentido é para combinar com o protagonista-

A luz, a música e a certeza.



©2004-2009 `WallOfTruth


Caminhava pelas ruas, atrás de algo que chamasse minha atenção. Achei uma luz e servia direitinho na minha mão. Às vezes, não só as pessoas nos surpreendem...E daí? Tirei uma foto da luz, perfeita para estes dias escuros. Junto com ela amarrei um trecho do Amarante, que tanto aprecio. Luz, música, as ruas, bem na minha mão. E daí? Ah. Deixa para lá. Tenho certeza que isso quer dizer alguma coisa. Certeza.

Da certeza de um destino imprevisto, que, das suas gargalhadas de manhã, preenchem todas as notas de uma música e minha vida. E quando você desperta e diz: “ – Anda, mamãe, acóda, ta sol!” entre beijos e fraldas, com o olhar mais puro do universo, que tenho a certeza que é por você que meus dias enchem de cor e de açúcar.

quarta-feira, 17 de junho de 2009




[ "...Não me lembro de nada na vida que mais se pareça com o amor, como lembro de ti"]




Jorge Vercilo

Cheque-mate


©2007-2009 ~Redpencil



Deitado assim, de bruços,
Na rede .
Tu e os braços balançando,
As pernas penduradas,
Cabelos, meio de lado.
Sem sua blusa xadrez,
E seus inúmeros botões,
Com um All Star baunilha.
E um par de meias do Che Guevara.
Tu, sem perceber:
Estatela-se.
Destaca-se das folhas, do teto, da cama.
Sem explicação.
Tu, com a feição serena.
Com as mãos amenas, orelhas pequenas.
Absoluto dentro da minha íris.
E nos meus dias.

Pelas costas.

©2006-2009 ~Spider-Kiss

Com a cabeça entre as pernas, as lágrimas desciam como tiradas em máquina de Xerox. Ela, imprecou todos os males sobre ele. Roubara-lhe tudo, inclusive sua melhor amiga.

Um brinde.

©2008-2009 ~Aisis



Aquela sentença não saia da memória dela: Homicídio doloso, ela só tinha 25. Dessa frase, ela havia atribuído um grande valor à sua vida. Desejou comemorar com o assassino. No vinho dele havia suor, lágrimas e veneno.

terça-feira, 16 de junho de 2009

2-Day

By_SilverMercury


Certamente eu gostaria de escrever coisas úteis no dia de hoje. Ainda mais para lembrar que o "Dia dos namorados" passou. Já tinha até um daqueles meus poemas padrões, mas fiquei perdida e o que sobrou foi apenas uma gastroenterite viral e "any" diagnósticos não definidos, em pleno dia 16 de junho...E mais algumas cicatrizes que eu já nem fazia mais questão de mudar o curativo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Escolha um nome.

©2008-2009 =incredi

“Eu, na minha autêntica superproteção, que imaginei desaparecida, sem ao menos haver lido o conteúdo do seu blog, questionei sobre "crase"! Você, hoje, pode dar aula para mim, viveu mais do que eu vivi, com tudo o que já aprendeu e assimilou com a vida, que importância teria um indelével erro de gramática, se houvesse um!
Estou impressionada com sua coragem: Por viver estas experiências e divulgá-las. Nos primeiros dias de vida, olhei você (neste momento, estou arrepiada com a lembrança) e senti que não nascera para mim. Era muito forte. Fisica e interiormente. Deus a protegerá sempre. Beijos de sua mãe”
Ela disse.


Nota: Só uma mãe poderia escrever em poucas linhas adjetivos tão coesos sobre uma pessoa da altura que ela tem. Ela não nasceu para a mãe, mas o mundo não tinha dúvidas que ela o pertencia.


Inspirada por Kalye, Diana, ou outras vidas nela. A primeira pessoa que me incentivou a fazer esse blog.


terça-feira, 9 de junho de 2009

Au Revoir.

©2008-2009 *perfect-sky


O teu leve gosto de cerveja e tabaco pôde levar o que não vivi. Das tardes de risadas, o barulho do teu gemido. [Vá embora do meu pé - do ouvido]. O gosto doce-amargo do teu talvez. E dos teus lábios quase com gosto de cana-de-açúcar.Vá, mas sua respiração teima em beijar minha nuca. Nas tardes frias. Das madrugadas que sonhamos um dia.As madrugadas ficam, para quem aqui ficou.Já foi?

Fake.

Imagem: Mojolfire

A afeição por pouco preço. De boteco. A sabedoria oca de copo. O vão da porta. Qualquer. Romanesca e excessiva. Em poucas linhas. Poucos dotes. Uma farsa.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Figura.

- Qualidade tua?


[ Puro Eufemismo, meu bem!]

Pequena Miss Sunshine.

©2008-2009 ~Ly-Lee

Não faço idéia se gosto mais das pessoas que me entregam rosas ou das que pintam um sol nos meus dias. Boa cética que sou, colhi algumas rosas e enfeitei o meu jardim. O sol, eu devolvi ao céu. Talvez eu ainda precise de luz nos meus dias.

terça-feira, 2 de junho de 2009

OFF line.

©2009 ~Nightrose64
Até postaria àquela carta nos Correios...
Ou mandaria um SMS, ou letras de músicas...
Ou beijaria teu corpo pela webcam...
Mas não. Preciso esperar você crescer...
...Que demora...


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Não esta.


Aquela mulher tinha mania de ficar fingida, pronta para atacar, escondida. E Maria, moça direita, medrosa, dentro do quarto, tolhida. Certa vez, olhou bem dentro dos olhos da Maria, e honesta dizia: “Vai ficar aí para sempre?” – Disse ela com a voz insolente, despida. Foi daí que Maria, vestiu cinta-liga, pagou aluguel e tratou a ferida. E descobriu a sorte. Outra pessoa nela. E assim permitia. Aquela mulher ficou. Amassou o passado nas mãos. E não sentiu mais falta de checar a caixa de correio. E falta não fazia.