terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Só.




Na falta do que dizer...
Investigo teus sinais sobre meu corpo.
-Mudo-
Dou-te as falas.
Sem que ouças meu nome.
-Em silêncio-
Não desejo-te por essas falas.
Desejo-te. Apenas.

Só.




Onde está você?


-Quem dera que a minha lembrança fosse a estrada mais curta para acabar com essa distância-


Faz falta esse teu beijo resumido...

[...]

sábado, 17 de janeiro de 2009

Página II



Se acaso me deixares.
Deixe a chave da porta embaixo do tapete
Não tranque a luz que entra pela fenda.
Desenhe as paredes.
Deixe tua assinatura.
Previamente à tua fuga.
Conserva estes versos naquela caixinha de música criada pelos meus pensamentos.
Observa se o gracejo dissipa-se entre nossos contos.
Para repercutir o sorriso inventado.
Amarrado no século anterior.
À tua fuga.
Vá em frente.
Deixe a chave na porta.
Minhas rugas de expressão debaixo do tapete.
E os vários tons que te apresentei no meu olhar
.

A rede.

Imagem : HiddenHallow

Deitou-se na rede. Fechava os olhos e tentava trazer à memória a época em que caminhava tranqüila pelo jardim. Colhiam-lhe flores todas as manhãs. Ela abria as cortinas para deixar entrar um pouco de luz. Sempre com um sorriso de sol. Mesmo quando sua alma estava nublada. -Ele tinha olhos cor de sol. - Recordou-se. Ao lembrar, percebeu que os olhos dele não tinham mais o mesmo tom, todos os dias tinham uma cor diferente. Conforme o tempo passava. A última vez que o viu tinha um tom acinzentado, embaçado. Em seguida, o afastamento. A ausência de ruídos. Nenhuma pessoa pôde lhe explicar. Lentamente observou o desamparo total destes dias. Marcas de hipocrisias e descuidos de alguns manchavam as paredes por onde a rede estendia-se. Até que todos desviaram-se de vez. Sumiram. Ela continuou e aos poucos não trazia à memória a luz daqueles olhos da cor do sol. Por muito tempo não conseguia passar em frente ao jardim. Muito tempo, os de casar, ter um cachorro, uma casa de vidro, de ser feliz. Estava sozinha com as suas recordações. Olhava como a parede havia desmanchado. Por fim, conseguiu encará-la. Agora sabia que a vida não era feita de sonhos. Mas da fé depositada neles. Fé que faltara para dar luz aos olhos dele.

De uma hora para outra


Era uma vez um amor...Que navegou contra a maré e perdeu-se.Entre dois corações desta época.De uma hora para outra, de uma hora para outra.Como era feito de poesia, coloquei em meu peito, nos meus versos.Mas não sobreviveu. De uma hora para outra, de uma hora para outra.Não! Não creio.Disseram-me sobre um homem que tornou a viver.Mas agora ele morreu de vez.Nunca mais apareceu.Não nesta época.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Chama-me.


À noite, faço um passeio, pisando em estrelas feitas de caco de vidro.
[Na ponta dos pés] Ando pela minha memória, vejo-te. Sigo os teus passos.
Pegadas de vidro. No final da avenida, vejo os teus olhos, gotejando a tua essência.
Sem pedir licença, abro a janela da tua alma. Como uma gata, eu pulo. Resta-me ainda uma vida. Invado teus pensamentos e deixo-te uma breve ironia. Com um papel de presente, em preto e branco, embrulho meus desejos e deixo à tua porta. Junto com um bilhete cheio de toques destemidos e não esperados. Há um incêndio dentro de ti. Declaro-me culpada. Inflamo-te!


- Saia daí. Venha fazer morada em mim. Aqui sim, é mais seguro.

E assim acaba mais um sonho, meu!