Mais uma noite de Maria. Talvez a sua terceira. Lábios vermelhos, assim como as unhas recém pintadas às pressas, sombra preta, cabelos escuros, calada feito à noite daqueles dias de chuva e ventania. Ainda uma menina, trocando o corpo de mulher por notas coloridas para não ter que ouvir a sua mãe apanhar do pai alcoólatra. Trocava de esquinas e de personagens. Gostava de zeros, principalmente os que vinham da direita rumo ao horizonte. Isso soube puxar seu pai. Uma pena ele ter perdido tudo jogando no bicho, no boteco e com as prostitutas da vila. E dos homens de mala e gravata. Ela tirava a roupa , fazia o serviço, olhava para cara e dava o preço. Fora aquele olhar. Morriam de medo dela, mas não podiam dar queixa na delegacia tamanha era o receio da desonra.

©2007-2009 ~banana-slip
10 comentários:
Diga-se passagem, quase platônico.
Texto mto bonito..
boa noite.
A-DO-REI isso...Muito bom!bjsss Lima July
The Mary´s dollar.
E alguns trocados para encerar o surrado violino daquela sinfonia. O mesmo das outras. As anteriores e todas as próximas.
Escreves, resumidamente, muitíssimo bem, à valor de meu elogio e de tua literatura, que em poucas linhas abastece os maiores livros.
Como faço pra contratar os serviços de Maria??
joe
Obrigada, queridos.
O número da Maria te passo por sms.
=P
Juliana,
você é digna do que faz...
tem cores na sua poesia, adoro isso!
beijos,
Maria, por dinheiro seu corpo vendia!
Gostei muito do texto, aliás, eu gosto de como você escreve e descreve as situações.
Beijão!
Cada esquina, cada noite
maria, sempre estava la
com um novo rosto
e mais notas
quantas cores
liindoo
Juliana,
Melhor seria, essa Maria, assobiar notas coloridas, e se embevecer em bolha-de-música, sofrida. Talvez pudesse, num bar, cantar sua vida...
Beijos,
Marcelo.
forte com um tom de ironia, e ao mesmo tempo singelo. como consegue? haha.. ótimo.
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