sábado, 27 de dezembro de 2008

Santinha do pau oco


[...]




No século XIX, um menino achou uma estatueta nas ruas e enterrou no quintal, perto do túmulo do seu cachorro. Assim, ele sempre lembraria onde estava escondido seu tesouro. Mas ele esqueceu...

Dizem que santo de casa não faz milagres, era uma terça-feira, ela foi regar as plantas no quintal e achou um pacote sujo de barro. Curiosa, tirou a sujeira. Com medo. Devolveu. Levou pra dentro de casa. Estava com medo. Abriu uma garrafa de licor. Ela usava cocaína. Queria fumar também, mas lembrou que não tinha dinheiro para comprar cigarros.
Ela era de dezembro, nasceu em 1930, da mistura de um violão e poesia. Decidiu fumar versos ao som de Chico Buarque. Ao passo que eu tento imaginar poesias ao som do meu suspiro.
[Carolina, os teus olhos tristes...]
Um brinde às palavras soltas! Gosto mais dos versos amarrados nas pontas dos meus pés.
Pois é, a minha vida respira com dificuldade, mas não existe mistério.

[...]

Ela gostaria de fumar mais versos. E beber mais palavras sinceras.
Voltou no quintal, abriu o embrulho e achou uma imagem.
Quebrou. E dentro, tinha ouro em pó.

Um comentário:

Kalye Duranki-Amon disse...

Acho que não existe realmente mistério algum na vida, no fundo...mas a diversão está em criar mistérios e persegui-los, mesmo que se finja não querer abrir o pacote..hehehehe

;-)